quinta-feira, 19 de abril de 2018

Admirador da PM, menino com leucemia ganha festa de aniversário de policiais e família se emociona: 'Foi lindo' - Veja o vídeo.

Policiais de Cosmópolis organizaram comemoração e deram até farda ajustada para o garoto, que completou 7 anos. Ele segue em tratamento no Centro Boldrini.

Por G1 Piracicaba e Região

Resultado de imagem para Menino de 7 anos de Cosmópolis que luta contra leucemia ganha festa de aniversário da PM
Menino de 7 anos de Cosmópolis que luta contra leucemia ganha festa de aniversário da PM

Policiais militares de Cosmópolis (SP) fizeram uma festa de aniversário com o tema da polícia para um garotinho que tem leucemia e completou sete anos na última segunda-feira (16). Silas Lima luta contra a doença desde os 6 anos de idade e, segundo a família, sempre gostou da corporação.

Click AQUI para ver o vídeo.

Os pais de Silas, o encanador industrial Abimael Lima e a dona de casa Adilma Lima, não tinham recursos para fazer uma festa com muitas atrações, mas os policiais transformaram o dia do garoto em um momento inesquecível. "A gente estava pensando em fazer só um bolinho, mas eles se prontificaram. Foi uma festa linda, todo mundo ficou emocionado", contou o pai.

Policiais militares de Cosmópolis fizeram festa de aniversário para menino com leucemia (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Policiais militares de Cosmópolis fizeram festa de aniversário para menino com leucemia (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

A admiração de Silas pela PM sempre esteve presente, segundo o pai. "Ele sempre gostou da polícia, dos bombeiros. Já levamos ele no quartel de São Paulo também". Foi durante o tratamento contra a Leucemia Linfóide Aguda que o garoto passou a conhecer as corporações mais de perto.

A família descobriu há cerca de um ano que ele tem a doença, o que levou o menino ao Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), onde passa por tratamento. Silas conheceu o Corpo de Bombeiros quando o centro realizou uma visita ao batalhão de Campinas.

Menino de Cosmópolis ganhou festa com tema da Polícia Militar, uniforme e conheceu viatura (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Menino de Cosmópolis ganhou festa com tema da Polícia Militar, uniforme e conheceu viatura (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

A festa
Em um dos dias de tratamento, na volta para a Cosmópolis, os pais passaram em uma padaria onde estavam alguns policiais militares. "Minha esposa falou que ele gostava da polícia e que ia fazer aniversário", lembrou Abimael.

Quando souberam da festa, os policiais quiseram ajudar. Eles madaram fazer uma farda sob medida para o menino e resolveram aparecer na comemoração. No dia do aniversário, a última segunda-feira (16), Silas estava uniformizado e vibrou com a chegada dos policiais nas viaturas. "Ele ficou super animado", contou o pai.

Silas Lima corta o bolo ao lado da mãe, Adilma, durante festa de aniversário em Cosmópolis (Foto: Abimael Lima/Arquivo pessoal)
Silas Lima corta o bolo ao lado da mãe, Adilma, durante festa de aniversário em Cosmópolis (Foto: Abimael Lima/Arquivo pessoal)

Tratamento
Abimael contou que a leucemia foi descoberta quando menino apresentou sintomas de virose, mas a mãe se preocupou pois ele estava com a barriga inchada. Os pais, então, levaram o garoto a um hospital de Cosmópolis e a doença foi constatada no exame de sangue.

O médico encaminhou o garoto para o Boldrini, que iniciou o tratamento por meio de quimioterapia. As intensas dificuldades causadas pela doença alteraram a rotina da família e Silas teve que ficar um ano sem ir à escola.

                       Silas e o pai, Abimael, no começo do tratamento contra leucemia, há cerca de um ano (Foto: Abimael Lima/Arquivo pessoal)
Silas e o pai, Abimael, no começo do tratamento contra leucemia, há cerca de um ano (Foto: Abimael Lima/Arquivo pessoal)

O tratamento dura um ano e, segundo o pai, a fase mais complicada da doença foi superada. "A parte de cair o cabelo, de ele ficar carequinha já passou. Agora ele já foi até liberado para voltar para a escola e o cabelo cresceu de novo", disse o pai.

Silas continua o tratamento e ainda vive a dificuldade de se submeter à quimioterapia, mas tem apresentado melhora. "Ele só fica meio enjoado quando faz a quimioterapia", contou o pai.

E no dia seguinte à festa de aniversário, ele tinha marcada uma sessão do tratamento. Abimael contou que, apesar de ter que passar pela quimioterapia, a felicidade que o menino estava ajudou. "Os médicos dizem que se ele está feliz as defesas aumentam", explicou.

Fonte: g1.globo.com

Mãe de garoto autista cria empresa em que contrata funcionários com o mesmo transtorno

Stella Spanakos mora nos Estados Unidos e ajustou a empresa para trabalhar conforme o ritmo da equipe

Por Crescer online

A empresa americana Spectrum Designs faz impressões e emprega autistas  (Foto: Reprodução)
A empresa americana Spectrum Designs faz impressões e emprega autistas (Foto: Reprodução)

Mãe de Nicholas, um um garoto autista, Stella Spanakos, que mora nos Estados Unidos, se viu insegura quando o pai do menino morreu, em 2010. Mas tudo se resolveu depois que ela vendeu o negócio do marido e recomeçou abrindo uma empresa de impressão em Long Island, Nova York. Ali, arrumou um posto para seu filho Nicholas. Hoje, emprega 20 pessoas, a maioria deles autistas, e tem um negócio que vale mais de 6 milhões de reais.

“Se pudesse, daria emprego a todas as pessoas com alguma incapacidade”, disse a empresária, que deu a seu ateliê o nome de Spectrum Designs, que faz referência ao “transtorno do espectro autista”, nome da condição. “Meu filho e seus colegas de classe inspiraram nossa equipe a criar oportunidades que normalmente não existiriam. Nós nos concentramos no que nossos funcionários podem fazer e nosso espírito é renovado a cada dia à medida que os vemos prosperar. Trabalhar aqui dá aos nossos funcionários um tremendo orgulho e alegria”, completou, em entrevista à rede ABC7, de Nova York.

Um deles confirmou: “Não gosto de depender dos outros por dinheiro", disse Josh Mirsky, que trabalha na Spectrum Designs há um ano e meio. “Quero pagar do meu próprio bolso. Não quero fazer parte de um sistema”.

Funcionária da Spectrum Designs (Foto: Reprodução)
Funcionária da Spectrum Designs (Foto: Reprodução)

Além de ser dona da Spectrum Designs, Stella também lidera o Nicholas Center, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços para ensinar habilidades sociais e profissionais a pessoas autistas.

Vídeo de Sociedade do Reino Unido mostra como criança autista se sente no dia a dia - Veja o vídeo.

Curta faz parte de campanha para aumentar a compreensão sobre o transtorno e pedir que pessoas tenham mais paciência

Por Crescer online

Holly no vídeo "Make It Stop" (Foto: Reprodução Youtube)
Holly no vídeo "Make It Stop" (Foto: Reprodução Youtube)

Um vídeo produzido pela Sociedade Nacional Autista tem chamado atenção por mostrar como é o dia a dia de uma criança com o transtorno. O curta chamado de “Make It Stop" (em tradução livre, "Faça parar”) é baseado na experiência de Holly, uma menina autista de 12 anos que interpreta a si mesma.

Holly aparece vivendo um dia comum, mas fica claro que as interações sociais e experiências sensoriais rapidamente sobrecarregam sua mente. Situações que parecem banais, como receber um “bom dia” de um motorista do ônibus escolar e conversar com um colega, se tornam momentos de grande stress para ela.

No vídeo, Holly explica: “Eu sou autista e as vezes capto informação demais. É como se meu cérebro estivesse muito lotado – e prestes a explodir. Mas se esperar um minuto, você dará a uma pessoa autista como eu o tempo que ela precisa. Entenda o autismo, a pessoa, e a mudança que você pode fazer”.
Assista ao vídeo 

Fonte:  revistacrescer.globo.com         

Vamos falar sobre disfonia infantil?

A fonoaudióloga Lílian Kuhn explica como a alteração da voz em crianças pode interferir em sua autoestima e suas relações sociais

Por Lilian Kuhn*

dtm atm boca mandíbula dor criança  (Foto: Thinkstock)
Rouquidão, falha na voz, sensação de voz cansada, voz muita fina ou muito grossa são sinais de disfonia infantil (Foto: Thinkstock)

Abril é um mês de muitas datas importantes para a Fonoaudiologia. Passado o Dia de Conscientização sobre o Autismo no dia 02 de abril, chegou a hora de alertarmos para os cuidados com a voz. Dia 16 de abril é comemorado o Dia Mundial da Voz, campanha criada no Brasil em 1999 e que desde 2003 passou a ser adotada em todo o mundo.

Apesar de tanto tempo, a luta dos profissionais para conscientização da população ainda vai longe... Essa é uma área de atuação que traz muitos desafios, pois associamos o padrão de voz das pessoas a características psicoemocionais quando, por exemplo, uma voz rouca é tida como sedutora ou uma voz grossa é relacionada a um perfil de personalidade dominante. Muitas vezes utilizamos, conscientes ou não, de variadas qualidades vocais para passarmos nossas emoções e intenções.

Entretanto, no caso do público infantil, devemos lembrar que as crianças ainda estão em formação física e socioemocional. Isto significa que a alteração da voz em crianças pode interferir em suas relações com adultos e crianças, nos processos educacionais e também na sua autoestima. Já parou para pensar que um vozeirão pode ser decorrente de uma alteração fisiológica, que chamamos de disfonia infantil?

Quais são os sintomas mais comuns?

Mesmo que a criança não diga literalmente “está difícil falar”, toda dificuldade ou alteração na produção de sua voz é um problema de voz. Rouquidão, cansaço ou até falta de fôlego ao falar, voz fina ou grossa demais, fraca ou forte mais do que o esperado são os principais sintomas de quadros de alteração vocal.

O que NÃO se deve fazer?

Usar muito a voz (gritar ou falar por longos períodos), cantar sem preparação e/ou acompanhamento profissional, pigarrear, falar sussurrado ou com esforço/dor. E nada de fazer receitas caseiras que podem piorar o quadro, combinado?

Quando devo agir?

Se seu bebê nasceu rouco, se o seu filho reclama de dor ou desconforto ao falar, se você observa que a voz do seu pequeno mudou de repente e não voltou ao normal depois de 15 dias (ou mais), se só melhora quando ele fica uns dias sem falar - e ao voltar ao ritmo normal -, a voz piora novamente.

O que fazer se desconfiar de uma disfonia?

Marque uma consulta com um otorrinolaringologista e com um fonoaudiólogo especialista em voz. Juntos, eles saberão te dizer o que está causando tal alteração e qual será a melhor forma de tratá-la. Determinada a causa da disfonia, pode se considerar fonoterapia, cirurgia e/ou psicoterapia.

Disfonia infantil tem cura?

A alteração pode ser permanente, aparecer algumas vezes ou desaparecer para sempre. Tudo isso dependerá da causa naquela criança específica. Por outro lado, mesmo que não tenha “cura”, sempre há o que melhorar! Então não se deve esperar para ver se passa, ok? Na dúvida, consulte um profissional.

Como cuidar da voz das crianças?

Oriente-as a falar sem esforço e articulando bem as palavras,  água durante todo o dia e alimentos saudáveis e naturais, balanceie as atividades calmas com mais agitadas e que exigem mais fala, evite conversar em lugares ruidosos, não interrompa as narrativas das crianças e ouça-as com atenção, não permitia competição entre diferentes sons (várias crianças falando ao mesmo tempo, televisão ligada, etc), cuide da boa respiração - evite expô-las a cheiros fortes e fumaça. E, claro, dê o exemplo sendo um bom modelo de voz!

Em se tratando de crianças, sempre considere os caráteres de Prevenção e Intervenção precoce nas ações de saúde. Prevenir problemas de voz, ensinando às crianças sobre como ter bons hábitos vocais (por exemplo, não gritar!) e as consequências destes para seu corpo e intervir precocemente quando os primeiros sinais de rouquidão aparecerem. Seja amigo das vozes das crianças (e da sua também)! Vamos nessa?

Lilian Kuhn* é fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há mais de onze anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem. Escreva para ela: redacaocrescer@gmail.com







Professoras são demitidas em escola nos Estados Unidos por humilhar garoto autista

Mãe de Camden Davis, 12 anos, mandou o filho com um gravador escondido para a aula depois de perceber que ele estava se tornando mais agressivo

Por Crescer online

         Camden Davis (Foto: Reprodução Facebook)
       Camden Davis (Foto: Reprodução Facebook)

Duas professoras foram demitidas de uma escola em Louisiana, nos Estados Unidos, por humilhar Camden Davis, um garoto autista de 12 anos. A mãe do menino, Milissa, mandou o filho para a aula com um gravador escondido na mochila depois de perceber que ele estava se tornando mais agressivo e voltara a fazer xixi na cama durante a noite. O áudio gravado pelo dispositivo mostra a professora e sua assistente provocando e tirando sarro de Camden. As informações são do WBRZ.

É possível ouvir uma mulher dizendo: “Você só está escrevendo uma palavra. O que isso tem de tão difícil?”. O garoto responde com um grunhido que a mulher repete ironicamente. A professora então fala: “Camden, por que você não escreve nada? É por isso que não pode sentar com os outros”. A mulher continua: “Vamos ver como ele se sairia em uma escola pública... Não duraria um minuto”.

Em entrevista ao DailyMail, a mãe de Camden disse estar devastada com o que descobriu. “Só quis chorar e gritar porque foi horrível pensar que mandei meu filho para lá todos os dias sem saber que isso acontecia. Peço que os pais de crianças especiais fiquem muito atentos e investiguem imediatamente comportamentos estranhos porque ninguém merece passar pelo que meu filho viveu”, afirmou. Depois que a direção da escola ouviu os áudios, demitiu a professora e a assistente envolvidas e fez um pedido de desculpas públicas à família de Camden.

Milissa em entrevista ao WBRZ (Foto: Reprodução WBRZ)
Milissa em entrevista ao WBRZ (Foto: Reprodução WBRZ)

Fonte: revistacrescer.globo.com

Desembargadora pede perdão à professora com síndrome de Down e à memória de Marielle

Após notícias falsas sobre Marielle Franco e ofensas à professora com síndrome de Down e ao deputado Jean Willys do PSOL, desembargadora apresenta desculpas pela internet

POR O GLOBO

Desembargadora pede perdão à professora com síndrome de Down e à memória de Marielle - Reprodução do Facebook

RIO - Depois de ter divulgado notícias falsas sobre a vereadora assassinada Marielle Franco — sugerindo que ela poderia ter ligações com bandidos do Comando Vermelho — e menosprezado uma professora com síndrome de Down, a desembargadora Marília Castro Neves fez um mea-culpa e pediu desculpas na mesma página de uma rede social que usara para fazer as ofensas. A informação sobre a postagem foi divulgada inicialmente no blog do jornalista Ancelmo Gois  nesta quarta-feira.

Com uma nova foto em seu perfil no Facebook, ela publicou uma longa mensagem em que assumiu ter errado. Ela começou os pedidos de perdão com um trecho dedicado a Debora Seabra, do Rio Grande do Norte, primeira professora brasileira com Down, que, após ser criticada pela magistrada, lhe escreveu uma carta de resposta. Marília respondeu: “Estou escrevendo para agradecer a carta que você me mandou e lhe dizer que suas palavras me fizeram refletir muito. Bem mais do que as centenas de ataques que recebi nas últimas semanas”, disse. “De você, de quem em um primeiro momento duvidei da capacidade de ensinar, que me veio a maior lição: a de que precisamos ser mais tolerantes e duvidar de pré-conceitos (sic)”.

Marília havia publicado um post em que se mostrava surpresa, ao ouvir no rádio, que o Brasil tinha uma professora com síndrome de Down. “O que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

PRECIPITAÇÃO SOBRE MARIELLE

Em carta, Débora lamentou a atitude da desembargadora, afirmando que ensinava muita coisa, mas que o mais importante era “ensinar a incluir as crianças e todo mundo para acabar com o preconceito, porque é crime. Quem discrimina é criminoso”.

Débora Seabra mostra a carta que escreveu - Divulgação / Agência O Globo

A desembargadora, na mesma publicação de ontem, também endereça uma mensagem à família de Marielle. Ela afirmou: “aproveito o ensejo para também me desculpar à memória (sic) da vereadora”. Marília reconheceu que reproduziu, “sem checar a veracidade, informações que circulavam na internet”. “No afã de rebater insinuações, também sem provas, na rede social de um colega aposentado, de que os autores seriam policiais militares ou soldados do Exército, perdi a oportunidade de permanecer calada”. “Nesses tempos de fake news, temos que ser cuidadosos”, concluiu Marília.

Por último, ela ainda citou o deputado Jean Willys (PSOL), observando que, embora vá sempre se opor às suas ideias, não “deseja mal a ninguém”. Ela teria sugerido “paredão” para o parlamentar. Marília Castro Neves já foi defensora pública, promotora e procuradora de Justiça, e, através do Ministério Público estadual, pelo Quinto Constitucional, chegou ao cargo de desembargadora. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu três investigações para apurar a conduta da magistrada em relação às três denúncias com base em postagens na internet.

Levanta, papai!

                </p><p>Elis e papai brincando de ‘fada madrinha’

Por Jairo Marques

Eu sabia que aconteceria, que chegaria o momento de biscoita me dar uma enquadrada por estar sempre sentado na hora das danças, na hora de brincar de pique-esconde. Só não imaginava que seria de maneira tão precoce e tão contundente.

Minha filha, às vésperas de completar três anos, quer entender já o que é ser diferente, e eu, que me achava tão seguro e bem resolvido, voltei a pensar, como num passado remoto, que não seria de todo ruim que me surgisse um cálice do elixir da normalidade para voltar a andar “só um pouquinho”.

E foi mais ou menos assim: “Papai, levanta para rebolar comigo essa música!”, “Papai, sai da sua cadeirinha um pouco e senta aqui no tapete para brincar”, “Pai, por que sua perninha é assim?”, “Pai, fica em pé só um pouquinho, igual à mamãe”.

Elis tem mais do que uma curiosidade pontual de qualquer criança que vê um cadeirante na rua, no shopping, aponta o dedo e lasca: “O que é iiiiissso, mãe?!”.

Ela tem uma necessidade de compreender por que sua própria vida é brindada com um ineditismo de ser _afinal, ser família, é ser um só em diversos momentos. Ela quer saber por que não a jogo bem lá no alto, como ela adora, porque não a socorro rápido quando se afoga de tanto rir na piscina de bolinhas.

A legítima curiosidade de minha pequena tem sido pueril e cessa diante de uma resposta com pouco argumento tipo “filha, todos somos diferentes. O vovô usa bigode, a vovó usa óculos, o Joca tem os olhos esbugalhados, o lobo faz malvadezas e o papai usa uma cadeirinha, sabe?”.

Pensava que esse processo de reconhecimento e descoberta de minha vida torta fosse construído de maneira mais natural para ela, embalada no berço, embrulhada nas fraldas e acalentada desde sempre comigo na tal “cadeirinha do papai”, mas pitchuca me obriga a refletir que o “serumano” em suas complexidades também é um valor a ser construído, lapidado, discutido, avaliado.

Certa vez, mergulhado numa angústia que não cabe em palavras e aproveitando que estávamos na varanda só eu, ela e a boneca da Luna, quis avançar no debate: “Você fica triste porque o papai só brinca de fada com você sentado?”.

Ela pensa com a brevidade que as grandes expectativas almejam e tasca: “Não fico, não, papai. Agora veste aqui o tutu, porque é sua vez de fazer a magia”.

Naquele momento, bem que a varinha de plástico que ela ostenta com a certeza de fazer o impossível -já fez uma massinha verde ficar azul e aparecer um chocolate dentro de uma caixinha- poderia me fazer ficar em pé um só pouquinho para dar a ela o sagrado mimo de não entortar suas tenros sonhos e inspirações.

Não há convicção que se mantenha diante uma criança que confia a você a orientação das verdades. Deficiência não é pecado, não é carma, não é castigo, mas ler a cartilha de minhas firmezas de caráter, de minha resiliência precisa ter a delicadeza do voo de libélula e explicar que, mesmo aquelas com menos asas podem encantar e seguir adiante, sendo libélulas, não é das tarefas mais fáceis.

Refleti um bocado se deveria compartilhar esse momento com os leitores. Concluí que, se as ideias destas linhas é tentar levar luz ao desconhecimento a respeito das diversas maneiras de viver, é também válido demostrar que há páginas brancas que só a experiência, a inclusão plena e o abraço apertado na diversidade irão ajudar a preencher.