terça-feira, 27 de junho de 2017

Médicos envolvidos em golpe do falso glaucoma podem ser cassados, diz CRM - Veja o vídeo.

Conselho vai solicitar à Polícia Federal cópia do inquérito sobre grupo que dava diagnósticos falsos para desviar recursos do SUS em Alagoas, Bahia, Goiás e Sergipe.

Por Carolina Sanches, G1 AL

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Golpe do falso glaucoma desvia R$ 30 milhões da saúde pública

O Conselho Regional de Medicina (CRM) de Alagoas informou nesta segunda-feira (26) que vai solicitar à Polícia Federal (PF) cópia do inquérito sobre o grupo que dava diagnósticos falsos de glaucoma para fraudar recursos da saúde. O presidente do Conselho, Fernando Pedrosa, disse que os médicos envolvidos no esquema podem ter o registro profissional cassado.

Quatro suspeitos foram presos em uma operação deflagrada no dia 13 deste mês e liberados dias depois. Entre eles está o médico André Born, que já foi secretário adjunto da Saúde em Maceió e ocupou cargos no Ministério da Saúde em 2016. Os nomes dos outros não foram divulgados.

Click AQUI para ver o vídeo

As investigações apontam que a quadrilha agia, além de Alagoas, na Bahia, em Sergipe e Goiás e desviou em torno de R$ 30 milhões da saúde pública. O paciente recebia um diagnóstico falso de glaucoma e era orientado a usar colírios.

“Nós precisamos que a Polícia Federam nos envie o inquérito policial porque a apuração desse fato foi por eles e nós não temos a competência de fazer a investigação. Dependemos que eles nos encaminhem o inquérito completo”, disse.

Pedrosa falou que é preciso ter provas para poder avaliar a situação dos profissionais. “Se for comprovado [o crime], haverá a aplicação de penalidades do Conselho, que vai de uma advertência até a cassação do registro médico”, informou o presidente, ao dizer que no caso de punições, o médico terá o direito de defesa.

O Fantástico revelou na edição deste domingo (25) que as investigações descobriram que a organização criminosa passava a quantidade de colírio além do necessário (veja no vídeo acima). Eles também teriam feito com que pacientes assinassem por uma quantidade do medicamento e recebiam menos.
A reportagem entrevistou duas pacientes que caíram no golpe criminoso. "A gente confia, o médico passou aquela medicação, a gente vai usar, né?", lamentou uma delas, a dona de casa Maria de Lourdes Silva.

De acordo com o superintendente da PF em Alagoas, Bernardo Torres, alguns pacientes com diagnóstico falso da doença chegavam a fazer uso dos colírios, mas outros nem recebiam o medicamento.

"Havia casos de pessoas que não recebiam o colírio e as fichas eram falsamente assinadas", afirmou Torres.

Uma das pacientes que tiveram a assinatura falsificada foi Nilzete Maria da Silva. A repórter Thaíse Cavalcanti mostra à dona de casa o documento supostamente assinado por ela e pergunta se ela reconhece a assinatura.

"Reconheço não, que não é minha, não", disse Nilzete.

Polícia Federal e Receita Federal fizeram buscas no Iofal durante Operação Hoder (Foto: Carolina Sanches/G1)
Polícia Federal e Receita Federal fizeram buscas no Iofal durante Operação Hoder (Foto: Carolina Sanches/G1)

Fonte: g1.globo.com

Menino surdo-mudo de 11 anos é amarrado e agredido dentro de escola em Cuiabá, diz polícia

Quatro adolescentes de 13 e 14 anos foram apontados pela vítima como autores da agressão. Criança foi encontrada por diretor dentro do banheiro da escola.

Por Lislaine dos Anjos, G1 MT

Caso de agressão foi registrado dentro da Escola Estadual Salim Felício, em Cuiabá (Foto: Google Maps/Reprodução)
Caso de agressão foi registrado dentro da Escola Estadual Salim Felício, em Cuiabá (Foto: Google Maps/Reprodução)

Um menino surdo-mudo de 11 anos de idade foi amarrado e agredido por quatro adolescentes dentro do banheiro de uma escola estadual no Bairro Parque Cuiabá, na capital, nesta segunda-feira (26). Segundo a Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, o caso foi registrado na Escola Estadual Salim Felício. O G1 tentou, mas não conseguiu contato com o diretor da unidade escolar.

A Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) informou à reportagem que a pasta promove campanhas contra o bullying em toda a rede escolar e que, nesse caso, a escola realizou o procedimento correto, que consiste em acionar o Conselho Tutelar e a Polícia Militar e registrar um boletim de ocorrência sobre a situação.

Segundo consta no boletim de ocorrência, a criança foi encontrada pelo diretor da escola por volta das 9h [10h no horário de Brasília], dentro do banheiro da unidade. De acordo com a PM, o menino estava amarrado e teria sido agredido com socos e chutes. Os agressores ainda teriam tentado empurrar a cabeça da criança dentro do vaso, segundo o diretor.

A guarnição de ronda escolar da PM foi acionada pelo diretor e, quando chegou ao local, a criança já havia sido desamarrada. O menino, então, indicou aos policiais e ao diretor que os autores da agressão seriam quatro adolescentes, sendo um deles com 13 anos de idade e os demais, com 14 anos.

O diretor da escola e os policiais entraram em contato com os pais da vítima e dos supostos agressores e todos foram encaminhados para a Central de Flagrantes de Cuiabá. Até o momento em que o boletim foi lavrado, apenas os pais de um dos adolescentes havia comparecido ao local.

Fonte: g1.globo.com

Projeto Tênis Solidário recebe visita de atleta cadeirante

POR GUSTAVO LOIO

Rodolfo Ramos conversa com alunos do Tênis Solidário
Rodolfo Ramos conversa com alunos do Tênis Solidário | Divulgação

O excelente projeto social Tênis Solidário, em Pilares, no Rio, recebeu uma visita ilustre no último dia 22. O tenista cadeirante Rodolfo Ramos, de 56 anos, conversou com alunos sobre superação e inclusão social no esporte.

Rodolfo é cadeirante e pratica esporte desde quando era adolescente. Durante o bate papo, contou todas as dificuldades que enfrenou para tornar-se um tenista, uma vez em que na sua época a questão de inclusão de pessoas com necessidades especiais no esporte, ou até mesmo na sociedade, era algo que não existia. Ele ainda ressaltou a importância da família para apoio na hora de superar todos obstáculos e ir atrás do sonho.

Além disso, Ramos participou de uma pequena partida com o nosso aluno Gustavo, de 12 anos, e ensinou algumas das regras de uma partida de tênis de cadeira de rodas.

Atualmente Rodolfo mora em Brasília e conheceu o Projeto através da internet.

Alunos ouvem as histórias de Rodolfo Ramos
Alunos ouvem as histórias de Rodolfo Ramos | Divulgação

Casal adotou 88 crianças com necessidades especiais ao longo de 40 anos: 'Ajudá-los foi o que nos uniu'

Camille e Mike e alguns dos filhos do casal
Camille e Mike e alguns dos filhos do casal Foto: Reprodução/Facebook

Extra

Um casal adotou 88 crianças com necessidades especiais ao longo das últimas quatro décadas, na Geórgia, nos Estados Unidos. Mike e Camille Gerardi são da cidade de Ellijay. Eles se conheceram em 1973 no Hospital da Criança de Miami, na Flórida, onde Camille trabalhou como enfermeira e Mike como pediatra. Juntos, resolveram ajudar as crianças que lá eram deixadas por causa de doenças ou deficiências.

Alguns dos filhos de Camille e Mike com funcionários da fundação criada pelo casal
Alguns dos filhos de Camille e Mike com funcionários da fundação criada pelo casal Foto: Reprodução/Facebook

"Quando Mike me pediu em casamento, eu disse a ele que queria fazer uma casa para crianças com deficiência e ele disse: 'Eu quero seguir seu sonho'", disse Camille à CNN.

Natal na casa da família
Natal na casa da família Foto: Reprodução/Facebook

Mike e Camille tiveram duas filhas, Renae e Jaclyn. A primeira adoção aconteceu em 1986. No total, 17 crianças diagnosticadas com síndrome de Down, síndrome de Zellwegger, com deformações no crânio, deficiências de desenvolvimento, autismo, lesões e outros distúrbios críticos, foram levadas para o lar do casal. Muitas delas, tiveram doenças terminais. "As crianças que eu levei eram desacreditadas. Mas muitos deles sobreviveram", contou Camille.

                           O casal Mike e Camille
                     O casal Mike e Camille Foto: Reprodução/Facebook

Logo depois, o casal criou a 'Fundação Possível Sonho', que ajuda crianças deficientes e suas famílias desde educação até o treinamento profissional. Com a criação da fundação, o casal ainda contratou dois funcionários para complementar a ajuda de voluntários.

                                 Mike com uma das crianças
                          Mike com uma das crianças Foto: Reprodução/Facebook

Em 2016, o casal já havia adotado ou se tornado tutores legais de 88 crianças ao longo dos anos. Trinta e um sobreviveram. Além da luta diária com as crianças e a tentativa de proporcionar tudo o que eles precisavam, Mike e Camille ainda passaram por dificuldades maiores. Em 1992, eles perderam a casa onde moravam, na Carolina do Norte, após o imóvel ser atingido por raios, durante um furacão. No ano passado, a família enfrentou uma de suas maiores perdas. Mikee faleceu após ser diagnosticado com um câncer agressivo, um dia depois de seu aniversário de 73 anos.

Camille com um dos 88 filhos
Camille com um dos 88 filhos Foto: Reprodução/Facebook

"Eu não podia chorar ou meus filhos também iriam ficar para baixo", disse Camille. Em uma entrevista concedida por ele ao jornal 'Miami Herald', em 1991, e resgatada em seu obituário, o médico falou sobre as adoções.

Mike e Camille em momento de diversão com as crianças
Mike e Camille em momento de diversão com as crianças Foto: Reprodução/Facebook

"Nós dois tivemos um grande carinho com as crianças. Poder ajudá-los, foi o que nos uniu", disse Mike.

                     Camille com uma das filhas
                 Camille com uma das filhas Foto: Reprodução/Facebook

Atualmente, Camille ainda está comprometida com a causa. Na casa dela, na Geórgia, ainda moram 20 filhos. Os demais atingiram a vida adulta, trabalham e construíram suas famílias.

Mulher sofre AVC depois de orgasmo: “Achava que dor de cabeça pós-sexo era normal”

Lucinda Allen, de 38 anos, estava grávida de seis meses e ficou paraplégica

Do R7

                        Foto: Reprodução/ Daily Mail
                              Lucinda Allen, 38 anos, da Inglaterra, sofreu um
AVC (acidente vascular cerebral) após ter dois orgasmos durante uma relação sexual com o marido, Tony. Ela relatou
ao jornal Daily Mail que sentiu fortes dores de cabeça acima do
olho direito logo depois do ato. A dor foi a causa da hemorragia cerebral que a deixou paraplégica.
Na época, ela estava grávida de seis meses

Lucinda Allen, 38 anos, da Inglaterra, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) após ter dois orgasmos durante uma relação sexual com o marido, Tony. Ela relatou ao jornal Daily Mail que sentiu fortes dores de cabeça acima do olho direito logo depois do ato. A dor foi a causa da hemorragia cerebral que a deixou paraplégica. Na época, ela estava grávida de seis meses.

Foto: Reprodução/ Daily Mail
— Foi em um fim de semana de agosto de 2012 e eu tinha tirado uns
dias para descansar, já que estava com 26 semanas de gravidez. Minha gravidez
tinha sido ofuscada pela diabete gestacional, que eu estava controlando com dieta
e exercícios físicos. Naquele dia, tinha verificado a minha pressão arterial,
como fazia normalmente. Como estava tudo normal, decidi voltar para a cama com
meu marido

Foi em um fim de semana de agosto de 2012 e eu tinha tirado uns dias para descansar, já que estava com 26 semanas de gravidez. Minha gravidez tinha sido ofuscada pela diabete gestacional, que eu estava controlando com dieta e exercícios físicos. Naquele dia, tinha verificado a minha pressão arterial, como fazia normalmente. Como estava tudo normal, decidi voltar para a cama com meu marido.

            Foto: Reprodução/ Daily Mail
               Logo após os orgasmos, Lucinda começou a sentir fortes dores, mas não se preocupou, já que as dores eram comuns após manter relações sexuais. — Eu não estava preocupada. A dor que costumo ter após o orgasmo é um pouco como o congelamento cerebral e bastante dolorosa, mas nunca dura muito. Mas, nesse dia, a dor não era a mesma porque não passou.À medida que a dor irradiava sua cabeça, Lucinda pensou que talvez fosse o início de uma enxaqueca e tentou dormir, mas não conseguiu porque a dor era muito forte. A mãe de Lucinda insistiu que eles chamassem uma ambulância imediatamente

Logo após os orgasmos, Lucinda começou a sentir fortes dores, mas não se preocupou, já que as dores eram comuns após manter relações sexuais.

Eu não estava preocupada. A dor que costumo ter após o orgasmo é um pouco como o congelamento cerebral e bastante dolorosa, mas nunca dura muito. Mas, nesse dia, a dor não era a mesma porque não passou.

À medida que a dor irradiava sua cabeça, Lucinda pensou que talvez fosse o início de uma enxaqueca e tentou dormir, mas não conseguiu porque a dor era muito forte. A mãe de Lucinda insistiu que eles chamassem uma ambulância imediatamente.

                     Foto: Reprodução/ Daily Mail
                          A mulher foi diagnosticada com hemorragia cerebral. Ela foi colocada em coma induzido para que o cérebro pudesse descansar. Dias depois, Lucinda passou por cirurgia para liberar a pressão dentro da cabeça. Os médicos estavam preocupados com bebê, mas exames revelaram que ela estava bem. Depois de seis dias, Lucinda saiu do coma, e, após três meses, deu à luz uma menina por meio de uma cesárea

A mulher foi diagnosticada com hemorragia cerebral. Ela foi colocada em coma induzido para que o cérebro pudesse descansar. Dias depois, Lucinda passou por cirurgia para liberar a pressão dentro da cabeça. Os médicos estavam preocupados com bebê, mas exames revelaram que ela estava bem. Depois de seis dias, Lucinda saiu do coma, e, após três meses, deu à luz uma menina por meio de uma cesárea.

                     Foto: Reprodução/ Daily Mail
                           — Minha médica acredita que uma anormalidade congênita em um vaso
sanguíneo no meu cérebro era a causa da dor de cabeça pós-sexo. Mas eu achava
que era normal.

Lucinda acredita que outras pessoas podem estar sofrendo com a
mesma condição e que precisam ficar alertas.

— Ninguém fala sobre a dor de cabeça pós-orgasmo

Minha médica acredita que uma anormalidade congênita em um vaso sanguíneo no meu cérebro era a causa da dor de cabeça pós-sexo. Mas eu achava que era normal. 

Lucinda acredita que outras pessoas podem estar sofrendo com a mesma condição e que precisam ficar alertas. 

Ninguém fala sobre a dor de cabeça pós-orgasmo

Crianças diagnosticadas como autistas no Japão preocupam brasileiros

Divulgação
filhos de decasseguis participam de oficinas do projeto Kaeru no Japao; a entidade faz palestras tambem para os pais, sobre desenvolvimento infantil, a importancia da educacao formal e de estímulos diversos para desenvolver coordenacao motora, cognitivo, afetivo etc. No Brasil, o projeto dá assistência a crianças que retornaram e encontram dificuldade para se readaptar ao ensino brasileiro Foto: Divulgacao ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Criança brasileira brinca em oficina do projeto Kaeru, que faz palestras para imigrantes no Japão sobre a importância da estimulação e da educação formal; projeto também atua no Brasil

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO DE SÃO PAULO

O fracasso escolar dos cerca de 40 mil filhos de brasileiros no Japão preocupa a embaixada em Tóquio e entidades educacionais e assistenciais.

A taxa de crianças brasileiras diagnosticadas com autismo é o triplo da registrada entre japoneses —o diagnóstico retira os alunos do estudo regular para sempre.

Brasileiros são também o maior contingente de estudantes que apresentam problema no idioma japonês nas escolas do país asiático e há um número grande de crianças em idade escolar que não vai à escola e termina incapaz de ler e escrever tanto em português quanto em japonês.

SEM PREPARO

As dificuldades escolares dos brasileiros começaram já na década de 1990, quando o governo japonês facilitou a imigração de trabalhadores para suprir as necessidades de mão de obra das indústrias.

Autoridades japonesas e brasileiras não se prepararam para adaptar as crianças porque, de um lado, acreditava-se que o programa estimularia apenas homens jovens a uma estadia temporária, para juntar dinheiro e retornar ao país natal.

Mas a coincidência entre uma crise prolongada no Brasil e a oferta de emprego no Japão fez com que fez com que o movimento de migração se transformasse em residência permanente para mais de 100 mil brasileiros.

Com jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, os pais deixavam os filhos na casa de "tias", nas quais elas não recebiam estimulação adequada.

DEPÓSITOS DE CRIANÇAS

A situação perdura até hoje. "Muitas crianças são deixadas em ´creches´ sem qualquer acompanhamento. Como o lugar é irregular, em geral elas não podem sair da casa e não desenvolvem a percepção do espaço ou de coordenação motora. Passam o dia fechadas vendo TV", diz Norberto Mogi, presidente do Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão).

Quando chega à escola, diz Mogi, a criança não consegue se comunicar, é retraída, e não se socializa. O professor tenta falar com ela e não consgue, o que acaba levando ao diagnóstico de distúrbios.

Há creches que são "verdadeiros depósitos de crianças", descreve a psicóloga Kyoko Nakagawa, que desde os anos 1980 trabalha com filhos de decasséguis no Japão e no Brasil.

"Você encontra 30, 40 crianças com umas ´tias´de avental, que falam tudo errado e não têm ideia do que estão fazendo. Dão qualquer coisa de comer, as crianças ficam no meio da sujeira, sem brinquedos."

O resultado é que há um número significativo que chega aos três anos de idade sem mal saber falar. "E esta é a fase mais importante do desenvolvimento", diz Kyoko, que tenta conscientizar decasséguis da importância de cuidar da educação adequada dos filhos.

A dificuldade de comunicação pode estar na raiz da alta taxa de brasileiros diagnosticados como autistas no Japão.

O TRIPLO DE AUTISTAS

Embora não haja números oficiais, levantamentos indicam que a porcentagem entre os filhos de decasséguis supere 6%, enquanto fica em 2% entre os japoneses.

O resultado preocupa a Embaixada do Brasil em Tóquio e as entidades que trabalham com a comunidade brasileira.

Para Norberto Mogi, presidente do Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão), é provável que haja erro de diagnóstico, por dificuldade de comunicação dos avaliadores com as crianças.

"O problema é que, colocado numa classe especial, o aluno jamais voltará para o ensino regular e tem seu destino selado para sempre", diz Kyoko.

A Sabja desenvolve vários projetos para instruir e orientar os imigrantes brasileiros e tenta atrair universidades japonesas para pesquisar a questão.

Ivan Carlo Padre Seixas, diplomata responsável pelo setor de Comunidade da Embaixada do Brasil em Tóquio, diz que falta uma política integrada do governo japonês para acolher os filhos de imigrantes.

Seixas faz reuniões periódicas com o Ministério da Educação do Japão para tentar sensibilizá-los sobre a questão do autismo e também da dificuldade de integração nas escolas japonesas e dos duplo-analfabetos.

BULLYING

No sistema de ensino japonês, os pais ajudam as crianças com o dever de casa e corrigem os exercícios, o que é difícil para os decasséguis, que, na maioria, não lêem o idioma de seus ancestrais.

"Os garotos começam a ficar para trás e reduzem o desempenho da classe, que é avaliada em grupo. Começam então a ser rejeitados. O bullying é muito forte no Japão", diz Seixas.

A pressão social é muito grande, concorda o pesquisador da UnB Maurício Soares Bugarin, que estuda de perto questões educacionais japonesas desde 2009.

"As crianças chegam a se matar porque foram maltratadas pelos colegas. Os brasileiros sofreram muito, porque, apesar da aparência semelhante, tinham cultura diferente. Então, acabaram preferindo não ir para escola alguma."

É difícil estimar quantos filhos de decasséguis estão fora da escola porque o governo japonês não divulga dados, diz Seixas.

Pesquisa divulgada na última semana pelo Ministério do Japão, porém, mostra que, de cada quatro crianças com dificuldades com o idioma nas escolas japonesas, uma é brasileira: 8.779 deles tinham problemas para acompanhar as aulas.

Dos cerca de 40 mil brasileiros em idade escolar hoje no Japão, 3.800 estão nas 80 escolas que dão aula em português.

Uma dificuldade é que parte das famílias não consegue pagar o custo médio de 25 mil ienes (cerca de R$ 750) das mensalidades.

Outra é que, mesmo quando os pais podem pagar, o ensino em português não permitirá às crianças ter uma carreira no Japão, diz Burgarin.

Os filhos de decasséguis que voltam ao Brasil também encontram dificuldades para se readaptar ao ensino brasileiro.

SUCESSO

Para o pesquisador da UnB, que estudou a inserção escolar dos filhos de decasséguis entre 2015 e 2017, a melhor solução seria que as escolas que hoje dão ensino em português passassem a dar reforço para permitir que os brasileiros tenham sucesso na rede pública japonesa.

"Cursar uma universidade japonesa é muito importante para se inserir na sociedade e ter uma carreira no Japão."

Um dos problemas, segundo Seixas e Kyoko, é que no Japão o ensino é obrigatório apenas para japoneses e não para estrangeiros.

Em Hamamatsu, uma das cidades que concentram decasséguis, o governo local e departamentos de comércio e indústria, trabalho e emprego, a polícia e o consulado brasileiro se uniram em 2011 num projeto chamado "Evasão Escolar Zero".

Foram identificadas 96 crianças que não iam à escola, por motivos como falta de informação, dificuldade para matrícula em escolas japonesas, falta de recursos para pagar escolas particulares e até mesmo medo de terremotos.

Com isso, 48 estrangeiros, dos quais 33 brasileiros, passaram a frequentar as aulas. Apenas 9, porém, em escolas japonesas. As outras 24 foram para escolas brasileiras reconhecidas pelo governo japonês.

Apesar dos problemas, já há uma geração de decasséguis conseguindo seguir no ensino japonês e chegar à universidade, diz Burgarin.

outras
982
8.779
português
8.204
chinês
6.283
filipino
4.972
outras
3.600
espanhol
1.515
vietnamita
982
inglês

Pesquisa feita pelo governo em 35 mil escolas; dos 82 mil alunos estrangeiros, 43% têm dificuldades com a língua japonesa
Ministério da Educação do Japão, "The Japan Times"

Pesquisa de diabetes avança e já livra pacientes de insulina por mais de 10 anos

Cerca de 90% dos casos são de diabete do tipo 2, que ocorre por resistência à ação da insulina e tem a obesidade entre as principais causas

Por: Estadão Conteúdo

Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS
Pesquisa de diabetes avança e já livra pacientes de insulina por mais de 10 anos  Mauro Vieira/Agencia RBS

Cientistas do mundo todo estão trabalhando em diversas frentes para "aposentar" a insulina e as medições de glicemia com picadas, o que aumentaria o bem-estar das 18 milhões de pessoas que sofrem com diabete somente no Brasil - número que cresceu 62% só na última década. Um trabalho pioneiro do Brasil, que entra em nova fase, já deixa pacientes sem a medicação há mais de dez anos.

Cerca de 90% dos casos são de diabete do tipo 2, que ocorre por resistência à ação da insulina e tem a obesidade entre as principais causas. Os casos restantes são de diabete tipo 1, uma doença autoimune que leva o sistema imunológico a atacar o pâncreas do paciente, destruindo as células beta, que produzem insulina. Agora novas pesquisas envolvem terapia com células-tronco, implante de células pancreáticas artificiais, bombas eletrônicas de insulina, aplicação por via oral ou nasal e monitoramento da glicemia por escaneamento.

Hoje é o Dia Nacional do Diabetes, e uma das iniciativas de maior impacto no tratamento de diabete tipo 1 vem sendo desenvolvida por cientistas brasileiros desde 2003 na Unidade de Terapia Celular do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). O método foi idealizado por Júlio Voltarelli e, após sua morte, em 2012, passou a ser defendido pelo endocrinologista Carlos Eduardo Couri.

Conseguimos algo que ninguém imaginava ser possível: suspender a insulina de pessoas com diabete tipo 1 — afirma.

Segundo Couri, o tratamento começa com a coleta de células-tronco da medula óssea do paciente. Em seguida, uma agressiva quimioterapia é usada para destruir o sistema imunológico. As células-tronco são então reintroduzidas no paciente, "reiniciando" o sistema imunológico, que para então de atacar o pâncreas, eliminando a necessidade de injeções de insulina.

Na primeira fase do estudo, entre 2003 e 2011, tratamos 25 pacientes e 21 pararam de usar insulina, um resultado inédito no mundo. A longo prazo, porém, apenas dois permanecem sem precisar das injeções — explica.

Esse resultado, no entanto, não significa que as pesquisas deram errado e vão agora entrar em nova fase.

A maior parte ficou dez anos sem insulina. E os que voltaram a usar precisam de apenas uma injeção diária, em vez das três ou quatro. Estamos selecionando voluntários e iniciamos um novo protocolo, que usará uma quimioterapia ainda mais agressiva — afirma o endocrinologista.

Morador de Ribeirão Preto, Humberto Flauzino, de 27 anos, é um dos participantes do estudo que permanece livre das injeções de insulina. Ele foi diagnosticado aos 17.

Eu não sabia bem o que era diabete. Mas não conseguia me imaginar tomando insulina pelo restante da vida — disse Flauzino, que desde 2007 está com a glicemia controlada, sem precisar de injeções de insulina.

O estudante de Medicina Renato Silveira, hoje com 29 anos, foi diagnosticado em dezembro de 2004. Depois de fazer o tratamento, passou 11 anos sem insulina. Voltou a tomar as injeções em 2016. Morador de São Paulo, conta que ficou sabendo sobre o tratamento com células-tronco depois de ler uma reportagem no jornal O Estado de S. Paulo.

Foram 11 anos de controle muito bom, e isso provavelmente vai retardar algum problema futuro. Valeu a pena. Não me arrependi — garante.

Pelo mundo

Outra opção promissora é o desenvolvimento de um "pâncreas artificial". Uma das técnicas desse tipo, batizada de VC-01, está sendo desenvolvida pelo laboratório ViaCyte, em San Diego, nos Estados Unidos, desde 2014, também usando células-tronco. Os cientistas criaram células artificiais semelhantes às ilhotas que produzem insulina no pâncreas e as inserem em um dispositivo implantado sob a pele do paciente. O encapsulamento do dispositivo subcutâneo protege as células artificiais dos ataques do sistema imunológico. Ainda nos EUA, o Diabetes Research Institute desenvolve técnica semelhante, chamada Bio-Hub, e acaba de informar que uma das participantes já está livre de insulina há um ano.

Outra linha de pesquisa é a chamada bomba de insulina. Lançada no mercado americano há duas semanas, ela deverá chegar ao Brasil em 2018. O produto foi desenvolvido pela empresa irlandesa Medtronic.

Trata-se de um dispositivo eletrônico de bolso que contém um pequeno reservatório de insulina ligado ao abdome do paciente por um cateter, com programação manual. Ainda em fase de pesquisas, outro dispositivo vai um pouco mais longe: por dispensar qualquer programação manual, é o que os cientistas chamam de pâncreas biônico. Esse equipamento, batizado de iLet, tem um sensor que monitora os níveis de glicose no sangue e seus ensaios clínicos foram aprovados no ano passado.

Inalável ou oral

Há pesquisas que buscam mudar a via de aplicação de insulina, para evitar as injeções. A empresa farmacêutica Sanofi, por exemplo, desenvolveu um equipamento para inalação, que foi liberado no mercado americano em 2016.

Uma empresa brasileira fechou um acordo de exclusividade para venda no Brasil e aguarda aval da Vigilância Sanitária. Já existem também empresas com testes adiantados para criar uma "pílula de insulina": a Novo Nordisk, da Dinamarca, e a Oramed, de Israel.

Diabetes: medição é possível por scaneamento

Para dispensar os diabéticos da desagradável picada no dedo a cada vez que é preciso monitorar a glicemia, um novo dispositivo permite que o paciente faça a medição com um scanner, que monitora um sensor implantado sob a pele. Desenvolvido pela Abbott, ele foi liberado nos Estados Unidos em setembro de 2016 e já está no mercado brasileiro.

O kit custa cerca de R$ 600 e a cada 15 dias é preciso trocar o sensor, que custa R$ 240.Outra opção, para o futuro, é a tinta hi-tech Dermal Abyss, em teste por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e de Harvard. Com base nessa tecnologia, por meio de uma tatuagem, será possível aferir quando os níveis de glicose estão fora de controle.